Tenho uma relação estranha com os dias da semana. Odeio as segundas-feiras. Cheira-me a nostalgia da liberdade que exerci no fim de semana. Cheira-me a trabalho, o que só é grave quando trabalhamos naquilo que não gostamos, o que já me aconteceu. Os osso rangem-me sonoramente, parecendo rodas afundadas na areia a tentar sair. Adoro as sextas-feiras. É um dia de expectativa, de promessas, de anúncio de dois dias de liberdade, quando não tenho de trabalhar ao fim de semana, a condição mais deprimente a que um humano se pode prestar. A não ser que trabalhe no que goste. Isto era assim. Agora, nunca sei a que dia da semana me encontro, visto que para mim tanto pode ser fimde semana às terças e quartas, como às quintas e sextas. Eu sou o meu calendário. Não existem diponíveis agendas no mercado para vidas assim.(Fotografia daqui)sexta-feira, 21 de novembro de 2008
SEPTUAGÉSIMAS-NONAS
Tenho uma relação estranha com os dias da semana. Odeio as segundas-feiras. Cheira-me a nostalgia da liberdade que exerci no fim de semana. Cheira-me a trabalho, o que só é grave quando trabalhamos naquilo que não gostamos, o que já me aconteceu. Os osso rangem-me sonoramente, parecendo rodas afundadas na areia a tentar sair. Adoro as sextas-feiras. É um dia de expectativa, de promessas, de anúncio de dois dias de liberdade, quando não tenho de trabalhar ao fim de semana, a condição mais deprimente a que um humano se pode prestar. A não ser que trabalhe no que goste. Isto era assim. Agora, nunca sei a que dia da semana me encontro, visto que para mim tanto pode ser fimde semana às terças e quartas, como às quintas e sextas. Eu sou o meu calendário. Não existem diponíveis agendas no mercado para vidas assim.(Fotografia daqui)SEPTUAGÉSIMAS-OITAVAS
Andar pelas ruas desertas, o frio a cortar a cara por cima do cachecol, os vultos da noite. Luzes de montras desertas de gente. Uma liberdade, sem destino nem rumo. Apenas isso. E tanto.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
SEPTUAGÉSIMAS-SÉTIMAS
Regresso, por instantes, ao meu bairro. Rever as caras que já não via há semanas. A banca da indiana está no mesmo sítio, com a mesma distância do mundo que sempre teve. O frio cai, sinto-o nitidamente, sobre as pedras, as casas e as pessoas. Senti, nítido, o clique entre a amenitude e o frio nocturno. Gostei de perceber que conservo a sensibilidade para as coisas invisíveis. Já noite, reparo que progressivamente as pessoas vão reinstalando o Natal. Como todos os anos, todos, todos, todos. Vou pensando, enquanto observo este mundo meu, que a bolha emocional é um estádio das relações pessoais e que um dia rebenta sempre. Por muito bem que as pessoas se dêem um dia zangam-se. As que são amigas superam. As que não são, não superam.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
SEPTUAGÉSIMAS-SEXTAS
A ermitude agradece o link que o Eternas Saudades do Futuro fez do Palavras Ermas. Engraçado: um nome de blogue que tem exactamente as palavras que eu tenho na cabeça.
sábado, 15 de novembro de 2008
SEPTUAGÉSIMAS-QUINTAS
Actualização: e o mais é, por agora, silêncios ermos para recuperar forças da batalha.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
SEPTUAGÉSIMAS-QUARTAS
"Durante o dia, li à luz dourada do Sol de Novembro. Agora, pela noite dentro, escrevo sob a luz prateada da Lua Cheia. Pequenos nadas que são tudo."
João Marchante, Eternas Saudades do Futuro.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
SEPTUAGÉSIMAS-TERCEIRAS
As palavras que aqui são escritas vêm da ermitude. Enquanto a ermitude dura, as palavras estão lá, aguardando ver o Sol, aguardando que a Alegoria da Caverna termine, para poderem ver o Sol. E a ermitude nunca sei quando acaba. Em resposta ao comentário anterior. Hoje, por exemplo, um estranho torpor corporal e mental transportou as palavras para bem longe. Debato-me em letras, jornais, livros e pensamentos. Voltarei.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
SEPTUAGÉSIMAS-SEGUNDAS
O frio. O céu cinzento. As árvores despidas com os ossos à mostra. São três da tarde e já tenho as luzes acesas. O Inverno cerca-me. Cerca-me. Está aqui à minha frente. Resta ler.
SEPTUAGÉSIMAS-PRIMEIRAS
À mesa onde escrevo, sentado de frente para as árvores que tentam sobreviver ao frio lá de fora. O meu pensamento partiu para a ermitude, lá longe, onde se aquece e prepara para o corpo para a nova batalha desta semana. Tudo o mais me é estranho e perigosamente indiferente. Pouca coisa me faz assentar os pés no chão. É mais um tempo de voar. Aterrarei.
sábado, 1 de novembro de 2008
SEPTUAGÉSIMAS
"Cena verídica ocorrida hoje num centro comercial da capital:
As escadas rolantes seguem cheias. Todos olham para cima, ou para a escada fronteira que desce. A certa altura, a escada deixa de subir. Pára. Muitos dos seus momentâneos "passageiros" ficam desorientados, espantados, sem saber o que fazer. Uma criança pergunta:- e agora?
Por regra, não paro em escadas ou passadeiras rolantes, e irrito-me quando as pessoas param e bloqueiam a passagem. Tenho para mim que o objectivo destes apetrechos urbanos é fazer com que as pessoas cheguem mais rapidamente ao outro lado, não servirem-se delas como uma espécie de teleférico junto ao chão.
Por isso, hoje esta cena foi de uma ironia suprema. As pessoas já nem sabem subir escadas e ficam perdidas perante coisas tão simples.Que raio de pessoas fazem parte desta sociedade?"
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
SEXAGÉSIMAS-NONAS
Mesmo no amor se manifesta a nossa radical solidão. Quando a pessoa que amamos se refugia na sua solidão deixando-nos à parte. Isso remete-nos imediatamente para a nossa solidão e lembra-nos que, no limite, nós somos apenas nós. Únicos, temporários, transitórios. E sós. É a natureza assim. Não sei se o Criador se deve orgulhar da obra feita.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
SEXAGÉSIMAS-OITAVAS
Não há maior deprimência do que viver fora do tempo. É o que acontece com o Natal em Outubro. Já se montam iluminações públicas, já se decoram centros comerciais. É obsceno.
SEXAGÉSIMAS-SÉTIMAS
Ao viver, vou criando raízes. Nos sítios. Nas casas. Nos climas. (Raízes). Bocados de mim que vão ficando por aí e que transporto cá dentro como parte de mim.sábado, 25 de outubro de 2008
SEXAGÉSIMAS-SEXTAS
O ser humano é radicalmente só. Por muitas voltas que se dêem, cada um é, para cada qual, o centro do mundo. É o que se sente e não o que se pensa que determina o egocentrismo. Muitas vezes, claro, o egocentrismo não é procurado nem voluntário. É mesmo, muitas vezes, inconsciente. Mas é de cá de dentro, da chamada disposição que partem as lentes com que olhamos tudo à nossa volta.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
SEXAGÉSIMAS-QUINTAS
Ainda há céu nas luzes. Ainda há árvores nas folhas em queda. Ainda há dia na noite que cai. A verdade é que há muitas verdades na mesma simplicidade da Natureza. O mesmo é dizer, na simplicidade complexa de um gesto, de um sinal, de um facto cru.
SEXAGÉSIMAS-QUARTAS
Pequenas coisas, grandes prazeres. Estaladiças. Quentinhas. Saborosas. Não há metafísica que resista a umas boas castanhas assadas. A fotografia é daqui.
SEXAGÉSIMAS-TERCEIRAS
A rua, finalmente. Com as dores reduzidas a metade. Engraçado como é relativíssima a noção de Paraíso.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
SEXAGÉSIMAS-PRIMEIRAS
Já me apetece mas ainda não me apetece. Já me levanto mas ainda não me sento. Já leio, mas ainda não escrevo. Já reaqueço mas tenho frio. Detesto os meios caminhos.
domingo, 19 de outubro de 2008
QUINQUAGÉSIMAS-NONAS
Durante anos, meio a sério meio a brincar, fui ameaçando o meu barbeiro que um dia ia à máquina zero. Fazia-o mais para ver se o homem se enervava com a diminuição de negócio que tal operação acarreteria. Ele sempre a dizer que se recusava, meio a sério meio a brincar. Eu a dizer-lhe que era um prestador de sreviços, que tinha por obrigação corresponder à encomenda do cliente e tal. E tal, e tal, e tal. Anos a fio. Agora, por ironia cruel do destino, tive mesmo de ir à máquina zero, antes que a máquina zero da natureza me possuísse.
sábado, 18 de outubro de 2008
QUINQUAGÉSIMAS-OITAVAS
Um dia inteiro em frente a uma janela por onde apenas vejo árvores e oiço o rebuliço do quotidiano citadino dos outros mas sem ver verdadeiramente os outros e o rebuliço que fazem porque da janela que está todo o dia à minha frente apenas se vêem as árvores do jardim que fica em frente da casa onde me prostro e viajo sem cessar pelas emoções de um teclado das árvores desfolhantes que se vêem pela janela que está à minha frente e do barulho do bulício quotidiano que os outros produzem na cidade enquanto eu apenas vivo emoções e produzo palavras em torrentes
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
QUINQUAGÉSIMAS-SÉTIMAS
Há coisas que me tiram do sério. Crianças aos guinchos, por exemplo. Sobretudo aquelas que as mães ou os pais guincham ainda mais alto que as crianças para as mandar parar de guinchar.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
QUINQUAGÉSIMAS-SEXTAS
No meio da prostração física consegui arrastar-me até um cinema. Não me apetecia pensar. Não me apetecia ser interpelado por importâncias da vida e da morte. Apenas me queria divertir. Oh Mamma Mia... e diverti-me, e cantei. Puro entertenimento. Evasão inconsequente. Faz muito bem.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
QUINQUAGÉSIMAS-QUINTAS
Estranha sensação: a cabeça funciona, mas o corpo não obedece. Deve ser o contrário do que sucede com os robots.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
QUINQUAGÉSIMAS-QUARTAS
À medida que o tempo consegue ir passando e lentamente regresso à realidade, palavra equívoca esta..., fascino-me com as múltiplas dimensões da vida. As múltiplas dimensões da vida sempre me fscinaram. Isto é, ver o que acontece noutros sítios quando eu estou nos meus sítios habituais. E, ao mesmo tempo prisioneiro, olhar pelas vidraças essas dimensões e surpreender-me. Acho que é aqui que reside a minha força vital nestes dias. Srpreender-me. Deixem lá, isto passa. Creio.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
QUINQUAGÉSIMAS-TERCEIRAS
O tempo vai passando. Hoje, esperava que tivesse passado mais do que o que passou. Mas não. O cansaço perdura, a prostração também e a força para ensaiar truques, cara Júlia, é nenhuma. Enfim, há-de passar.
domingo, 12 de outubro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
QUINQUAGÉSIMAS-PRIMEIRAS
Ninguém consegue explicar à minha mãe por que razão os Pingo Doce não vendem todos os mesmos produtos e não praticam todos os mesmos preços. Venham de lá esses pedagogos da economia e do marketing, que esta questão é muito mais importante lá em casa do que a crise mundial.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
QUINQUAGÉSIMAS
Cartões. Pontos. Pins. Usernames. Passwords. Códigos. Tarifários. Spreads. Descontos sobre descontos se. E se. E, e Se. E, e, e se. Um ror de novas ciencias ocultas onde uma pessoa normal corre sérios riscos de morrer afogada. O mundo está maluco. Está ou não está, digam-me lá?
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
QUADRAGÉSIMAS-NONAS
Tenho um inexplicável fascínio pelas traseiras da casa onde vivo. Nada nelas sobressai. Nadinha mesmo chama a nossa atenção. Por vezes uns carros estacionam no pátio por onde se acede por um estreito e feioso túnel de ligação à rua. Mas tenho uma ligação indescritível às traseiras da casa onde vivo. É único o seu silêncio durante a noite. Passei horas de dores, fora da cama, completamente ermo, à espera que as dores partissem para regressar à cama, contemplando essas traseiras e escutando esse silêncio. Eu devia odiar essas traseiras de prédios feios com traseiras feias e estendais anárquicos. Mas não. Uma espécie apelo de refúgio une-me a essas traseiras. Sem eu dar por isso elas fazem parte, hoje, da minha vida. Decoraram-me as dores.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
QUADRAGÉSIMAS-OITAVAS
Coisas bizarras da minha vida que nunca contei a ninguém: comprei apenas um ou dois livros na FNAC desde que existe e porque calhou. Não me sinto, pois, excomungado da sua política comercial nem do seu negócio financeiro dos cartões. Habituem-se...
terça-feira, 7 de outubro de 2008
QUADRAGÉSIMAS-SÉTIMAS
Agradeço as ligações feitas pelo Escrita Privada e pelo Ma-Schamba a estas humildes Palavras. Vencida a preguiça inicial e com um bocadinho mais de know-how, com as respectivas ligações ou links, como dizem os novos ricos da linguagem.
QUADRAGÉSIMAS-SEXTAS
Por vezes parece que foi tudo dito, em milhares de anos, de livros, de filmes, de teatros, de vida real até. Como não foi? E, todavia, vem alguém com aquela frase que nunca ouvimos nem lemos e que há muito quríamos dizer ou esperávamos que alguém dissesse. Como é possível esta infinitude?
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
QUADRAGÉSIMAS-QUINTAS
Veio um torpor enleante que me tolheu e que me chama para o sofá. Afundo-me nele e delicio-me com o tédio que se me impõe. As palavras rareiam, os pensamentos parece que emigraram.
QUADRAGÉSIMAS-QUARTAS
Mesmo para quem não aspire à eternidade, não vale a pena esconder uma ponta de vaidade em quem decide abrir um blogue. Os comentários da Júlia, além de constituirem um inesperado Privilégio, alimentam a minha vaidade.
domingo, 5 de outubro de 2008
QUADRAGÉSIMAS-TERCEIRAS
Hoje há dias para tudo. Dias nacionais, dias europeus, dias mundiais. Normalmnte os dias de servem para dizer que todos os dias deviam ser os dias de. Assim como dizemos do Natal, tão enjoativamente que só nos resta viver o Natal em recato e anonimato. Proponho a extinção de todos os dias de. Em substituição de todos eles haveria apenas o dia mundial dos Poetas.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
QUADRAGÉSIMAS-SEGUNDAS

Encontro pontas de encanto nas quatro estações do ano. A minha estação era o Verão. No tempo em que eu tinha uma vida normal, no sentido de poder aproveitar todas as vantagens das estações. Agora, limito-me a tentar compreender o significado das emoções que as estações me provocam. Interpelar as cores, os matizes, a riqueza variada das árvores. Sentir o ar frio ou quente. Perceber os caminhos do vento. Como faço com a música.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
QUADRAGÉSIMAS-PRIMEIRAS
Hoje de manhã, em declarações a uma rádio, a escritora Inês Pedrosa, que actualmente, além de escrever, dirige a Casa Fernando Pessoa, dizia: "Eu, pessoalmente...". Curiosa expressão. Como será o "Eu, impessoalmente"? Mesmo que tenhamos outro ou outros cá dentro (enfim, admita-se que o espírito da Casa penetrou ôntico-intelectualmente a senhora...), como impedir que cada eu seja pessoal?
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
QUADRAGÉSIMAS
Sim, nem sempre saem as palavras. Também há silêncios ermos. O que vem provar que elas não têm só vida própria depois de ditas ou escritas, mas também antes, ao recusarem nascer.
domingo, 28 de setembro de 2008
TRIGÉSIMAS-NONAS
A leitora deste humilde blogue ermo Júlia ML queixa-se que eu não respondo aos comentários e questiona-se sobre se será disfunção ou má educação. Creio eu que nem uma coisa nem outra. Apenas falta de disposição. E também falta de tempo. Este é um local ermo onde divago. Onde o tempo me tem outra dimensão. Mas prometo que vou verificar os comentários, que de resto, agradeço, e responderei, cara Júlia. Quanto aos pensamentos engraçados, agradeço a referencia. Sou leitor do seu blogue e gosto muito. É um privilégio para mim este Palavras Ermas ser um dos seus caminhos...
sábado, 27 de setembro de 2008
TRIGÉSIMAS-OITAVAS
Diário do doente: quando estamos doentes o pior é estarmos doentes, sem dúvida. Mas a seguir o pior é que cada ser humano com quem falamos tem a respectiva terapêutica própria e um cardápio exclusivo de conselhos e recomendações. Que explicam e fundamentam detalhadamente, como preenchem a declaração do IRS, fornecendo ainda a lista de casos concretos de sucesso. Para além disto mostrar que existe um médico escondido dentro de cada um de nós, recomenda também que sejamos ermos quando doentes.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
TRIGÉSIMAS-SÉTIMAS
Tenho pena de Herman José. Interrogo-me muitas vezes se é a dependencia do dinheiro ou do ecran que o impede de perceber que há vários anos que o seu prazo de validade como entertainer e humorista acabou. O que é facto é que hoje rimo-nos de Herman não porque ele tem graça mas por que ainda não percebeu que já não a tem. Tornou-se patético o que era inteligente. Ficou ridículo o que antes tinha piada. Não passa de bajulação oca de tudo e todos, o que era irreverencia. Saber sair a tempo é de facto virtude que a poucos bafeja.
TRIGÉSIMAS-SEXTAS
Nunca percebi por que razão nunca gostei de me ver na televisão. Deve ser um problema psicológico. Apesar de muitas mulheres (não muitas felizmente!) me acharem bonito e de algumas outras dizerem ter uma excelente voz, a verdade é que nunca revi programas em que entrei ou entrevistas que dei. Não sei se é uma questão de timidez, de insegurança ou de auto-estima.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
TRIGÉSIMAS QUINTAS
Entrámos na estação das folhas ermas. Elas vão caindo, numa orgia de tonalidades e vão desaparecendo, deixando as árvores vazias. E morrerão, não se sabe onde nem quando. Uma aventura de vida irreversível.
sábado, 20 de setembro de 2008
TRIGÉSIMAS-QUARTAS
Para um burguês ataviado, que gosta de escrever umas merdas de vez em quando, mais ao desabafo que ao literato, que é justamente o meu caso, a capa da última Ler é irresistível. "O homem que ensina Portugal a pensar" faz-nos comprar imediatamente a revista. Afinal de contas, quem será o magano que afinal pôs isto neste estado, é o que avidamente buscamos saber. Para lhe fazer o quê, logo se verá depois de ler. Depois, repuxando os olhos ao cimo, desperta-nos o divertimento do riso de Machado de Assis, cem anos depois. Sempre é um avanço poder rir sem ser da SIC e da TVI. O pior, como se não bastasse já, vem no título do meio: os livros que os nossos filhos, mais rigorosamente dos 6 aos 18 anos (não dos 7 aos 17, nem dos 5 aos 16, rigorosamente dos 6 aos 18!) devem ler "além dos livros escolares". Como? Oh Francisco: não pode pôr os titaleiros da revista em ordem? Então Vocências querem impingir uma lista do "deve ler"? Não esperava essa atitude da sua parte, muito menos dirigida a jovens ainda não dotados de suficientes intrumentos críticos de selecção. Mas você é que é o Director, aguente-se... Ah e vou continuar a Ler a revista, claro. Mas cuidado com os títulos.
(Capa)
TRIGÉSIMAS-TERCEIRAS
Eu também oiço as coisas da política. E tenho uma coisa a dizer: há um sujeito chamado Pedro Marques Lopes, que não sei de onde apareceu, mas também não me interessa, que agora aparece em todo o lado, designadamente no Rádio Clube Português e num programa da SIC Notícias que consigo nunca ver, que é o Eixo do Mal. Sinceramente, tenho a dizer que não gosto de o ouvir. Parece que está sempre zangado, diz enormidades categóricas, e arranha o éter. Eu sei que isto é uma superficialidade. Mas apeteceu-me. Acho que condiz com a pessoa.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
TRIGÉSIMAS-SEGUNDAS
Como hei-de eu fazer isto?... Constato que oito blogues se ligaram ao Palavras Ermas. O Viagens no Meu Sofá, o Gónio, o Congeminações, o Aqui, o Apdeites V2, o Estado Sentido, O Andarilho e o Privilégio dos Caminhos. Talvez dizer simplesmente obrigado pela atenção. E eu com a minha preguiça, nem faço as devidas hiper-ligações. Também, são as palavras que contam, não é assim?...
TRIGÉSIMAS-PRIMEIRAS
Há barulhos e cheiros que irresistivelmente me atraiem. Deixemos agora os cheiros de lado. Hoje, estou especialemente sensível a um dos barulhos de que mais gosto: o barulho de retirar andaimes de prédios. Passei o Verão com andaimes à frente da minha janela, com ferros entre o meu olhar e o Sol, só para mudarem o telhado do prédio. Hoje, estão a tirá-los. Parece que uma nova vida começa. Curioso como associo certas coisas a um recomeço.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
TRIGÉSIMAS
As palavras, só as palavras, às vezes, libertam-me. É como se objectivá-las me aliviasse de um sufoco, por milagre. Ai, há milagres, há. Não são os das religiões, mas os das emoções. Não interessa quando, nem onde, nem como se escrevem elas. É preciso é soltá-las. Elas sabem sempre voar, logo assim que nascem.
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