segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

CENTÉSIMAS-QUARTAS


Alimento de hoje (1): queijo fresco, produzido pelos Lacticínios Santos Costa, Lda., Serra de Santo António, 2380-608, Tel: 249845425 F: 249845144. Página web: não disponível ou em actualização. E-mail: não disponível ou em actualização. Tem uma enorme vantagem: este queijo fresco não é pre-embalado naquelas horríveis embalagens de vácuo que transformam o belo queijo fresco numa espécie de pasta de vidraceiro com sabor a sabão.

(Tirada daqui)

CENTÉSIMAS-TERCEIRAS

74 anos. Obrigado, Pai.

CENTÉSIMAS-SEGUNDAS

Abandonei-me ao Inverno, ao ar quente dos aquecimentos, às visões sombrias do cinzento dos céus. Leio, leio, leio compulsivamente. Escrevo, escrevo, escrevo compulsivamente. Quero saber de tudo. Das histórias do sexo na Casa Branca aos middle-aged que estão a passar fome com cartão Visa sem plafond no bolso por causa da crise que um tal ministro pequenino de apelido Pinho garantiu há uns meses que tinha passado e que um tal Sócrates disse que estávamos melhor preparados que os outros para receber. É a vida que sinto num tropel. Por isso tenho de refugiar-me frequentemente na música, na poesia, até na singela contemplação platónica do tal inverno. E basto-me, por ora, nisso. E que bom que, por enquanto, baste refugiar-me nisso.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

CENTÉSIMAS-PRIMEIRAS

A minha morte, não ta dou.
De resto, tiveste tudo
- a flor, a sesta, o lusco-fusco,
A inquietação do dia 8,
As órbitas das mães, das mãos,
Das curiosas palavras de não dizer nadinha.
Tudo tiveste: estás contente?

Feliz assim por teres tudo o que sou?
Feliz por perderes tudo o que sei?

Só não te dou o que não serei.
Não, a minha morte, não ta dou.

Pedro Tamen

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

CENTÉSIMAS

Preferi uma brutalidade para assinalar um marco deste blogue: as centésimas palavras ermas. E a brutalidade é esta: quantas relações sociais, familiares e pessoais pereceriam se apenas falássemos a verdade do que pensamos e sentimos? Ou, dito de outro modo: quantas sobreviveriam? Quantas?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

NONAGÉSIMAS-NONAS

Precisamos de Caeiro, cara Júlia. Precisamos de sentir a ilusão do poder de poder recomeçar livremente todos os dias. Essa sensação de poder dá-nos importância, muito mais do que a que temos, dá-nos auto-estima, de que necessitamos para viver, dá-nos liberdade, muito mais do que a que sabemos usar. A ideia de que em cada dia ao acordar podemos tudo é deslumbrante. É falsa, mas deslumbrante e necessária. Alguém disse que o “Alberto Caeiro parece mais um homem culto que pretende despir-se da farda pesada da cultura acumulada ao longo dos séculos.” E por isso se refugiava na Natureza. Há lá coisa que transporte mais memória, mais cicatrizes do passado, mais sinais do que já foi do que a Natureza? Era a ilusão, essa ilusão tão necessária e tão mestra como Caeiro foi "o mestre" de Campos e Reis.

domingo, 11 de janeiro de 2009

NONAGÉSIMAS-OITAVAS

Abate-se o crepúsculo sobre a cidade. O frio aumenta sensivelmente. O céu nubla o horizonte, devagar, como um anúncio suave. Vêm dias duros pela frente. Em que as palavras são mais difíceis de tão ermas. Às vezes nêm se sonorizam nem escrevinham, de tão longínquias. Como o Sol nestes dias de invernia poderosa.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

NONAGÉSIMAS-SÉTIMAS

Escuto as traseiras pela noite dentro. Um clássico em triângulo, com um ligeiro pátio no meio ocupado por automóveis. Cedo as luzes se apagam. Na província as pessoas deitam-se mais cedo certamente. E eu escuto o silêncio das traseiras. Penso na Janela Indiscreta e na impossibilidade de surpreender um segredo que seja com ou sem binóculo naquelas traseiras apáticas parecendo sem vida dentro. Já me via ali sentado, imóvel e quedo, noite fora, à espera de não sei o quê, mas com a recompensa de ver alguma coisa. Nós gostamos de ver alguma coisa. Não se minta. Mas é uma ilusão aquele aparente vazio. Há vida dentro e há segredos dentro da vida. Há sempre. Mas na província há mais cuidado com a menos gente e correm-se as cortinas.

domingo, 4 de janeiro de 2009

NONAGÉSIMAS-SEXTAS

Fumo, vagarosamente, um cigarro. Saboreio cada segundo de vida. Delicio-me. Enquanto leio blogues. Uma forma de felicidade como qualquer outra. Faz hoje 17 anos que sucedeu um acontecimento importante na minha vida. Todos os dias são bons para balanços. Faço hoje o meu, de tantos que faço. Sim, sou um bocado agarrado a datas e aos simbolismos que introduziram na minha vida. Como me acontece com os objectos. Por exemplo, guardo ainda e uso a tesoura que os meus pais me compraram quando entrei para o ciclo preparatório. E guardo outras coisas. O mais importante, porém, é o que guardo na minha alma. E guardo nela todos os momentos que vivi. Dizia alguém que cultura é aquilo que nos resta depois de termos esquecido tudo o que aprendemos. Eu digo que nós somos o que lembramos de tudo o que não esquecemos ao viver. Onde é que eu ia?...